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Zora Yonara - escritos

O equilibrio do salto alto...Visibilidade Lésbica

09:02 PM, 22/8/2008 .. 0 comments .. Link

F I L O S O F A N D O

Hoje ao sair do trabalho me deparei com uma questão interessante, quando vi muitas mulheres se equilibrando no salto alto, esperando seus transportes para chegar em algum lugar.

Fiquei me perguntando onde esta reflexao me levaria, e percebi o quanto estamos sempre nos equilibrando diante das imposições e normatizações. O discurso sempre o mesmo, mulher pode isso, mulher não pode fazer isso... isso é coisa de homem...

Entendi que muitas de nós sempre está sobre um salto alto  tentando se equilibrar, e que cotidianamente estamos submetidas a muitas questões, a exemplo, o papel que nos determinam desde que nascemos, o papel de femeas. Esta naturalização dos papeis de genero, ser femea, ser macho, um discurso machista proclamado nos quatros cantos do planeta, sempre presentes no dia-a-dia cria um abismo enorme.

É surprendete como de uma simples observação se pode tirar algo  da realidade de todas nós, substanciado no cotidiano.

Com as mulheres lésbicas a coisa tambem é bem complexa, pois todos os dias muitas tentam se equilibrar no salto alto ou nos seus tênis, mesmo  estes sendo retos. É absurdo pensar que muitas ainda vivem escondidas pela intolerancia e lesbofobia, tropeços de uma sociedade excludente.

Mas apesar dos tropeços, dia 29 de agosto é o dia da visibilidade lésbica,  somos cidadas e temos direitos, é dia de luta. E mesmo tentando se equilibar sobre saltos ou tênis  diante de naturalizações e imposicões societárias dos ortodoxos machistas de platão, continuaremos lutando por uma sociedade mais diversa e igualitária. 



M-o-v-i-m-e-n-t-a-ç-ã-o

05:57 PM, 5/8/2008 .. 0 comments .. Link

 

Movimentar-se

Mover-se

Diante do todo

Seres envolvidos

Será que és parte da Roda?

A girar, não para, e movimenta-se

Transforma o nada em tudo, e

e o tudo em nada.

Esta poesia de minha autoria, surge após uma observação que fiz no Porão do rock, em que algumas rodas eram feitas na medida em se tocavam as musicas, e estas rodas eram para de certa forma demonstrar uma certa rebeldia e inconformidade com o sentido diretivo da plateia que se prostra olhando para frente, todos/as iguais. Pude neste instante relembrar, e me transportar para uma memoria jovem  ao qual vivi.

Já tem alguns anos que venho desejando ao mundo uma revolução aos valores, uma postura mais pacifica e ao mesmo tempo transformadora diante de tanta atrocidade que diariamente estamos submetidas/os, sem ao menos pensar sobre tal questão.

Esta questão que faz o tudo ou o nada movimentar-se e a obrigação de sermos seres eternamente melhores em todas as coisas, até no nada, seres glamurosos e plasticos, vivendo em meio ao caos, sem perceber o que esta dentro ou fora do circulo.

Mecanicamente acordamos, saimos para o trabalho, voltamos para casa, dormimos, comememos e o que esta dentro e fora passa, há algo lá fora, há algo aqui dentro?

Movimente-se, pois o tudo ou nada possui signos a serem questionados, dentro da roda poderá perceber  o inesperado, o comum, o incomum. O importante é compreender que esta roda em que há o tudo e o nada devem ser sempre frutos de reflexões a serem construidas. 

  

 



Ela pensava que não ia acontecer...

11:28 AM, 3/7/2008 .. 0 comments .. Link

Zora na Parada LGBTT SP/2008

Zora Yonara, Parada LGBTT SP/2008

Ontem estive conversando com uma amiga muito proxima, ela chorava sem parar, parecia uma criança assustada. "Não sei como pode acontecer", ela repetia.

Quando iniciou seu relacionamento com M. P. sempre passou por situacões dificeis, muitas vezes era contragedor sair com as duas.

O ciúme de M. (companheira de L.) era incomum, já que L. (minha amiga) não tinha uma postura que colocasse ou indicasse qualquer forma de traição, a coisa ficou tão assustadora que um dia M. prendeu L. em casa.

Estas histórias entre casais de mulheres é mais comum do que se imagina, são pequenas coisas que indicam a violência, o controle(fator que indica violência), como impedir de ir e vir, de falar com as colegas e amigas, empurrar, usar palavrão, desqualificar profissionalmente.  Estas cenas vividas por algumas lésbicas, é de tamanho constragimento que estas não conseguem falar sobre o tema, e acreditam que é vergonhoso, se sentindo culpadas.

AGENDE

Agende

Já presenciei formas violentas de se dirigir a companheira, outro dia estava eu no meu ex-trabalho quando um casal de lésbicas discutiam e se atacavam,  a pressão psicológica sobre uma era tamanha, desqualificação profissional (elas trabalhavam juntas), humilhações e descaso. 

A força imposta nas palavras era algo de muito odio, foi quando a que estava em situacao de violência desabou a chorar e pediu para que eu a retirasse do local, sinto que a violência proxima de nós, muito mais do que imaginamos.

Imediatamente a retirei do local e conversamos sobre isso, então  sai do emprego por acreditar que não era mais possível ver aquela situação e não fazer nada, um dia tive uma dura conversa sobre o tema daí não continuei trabalhando lá.

A violência especificamente a intrafamiliar é naturalizada, e muitas pessoas acreditam que ás coisas são como são.

Cabe entao refletir sobre o que é violência contra a mulher lésbica?

Existe a tipificação das formas de violência: a doméstica, comunitária e institucional.

Com a Lei Maria da Penha (11.340/06) a violencia doméstica, aqui vou identificar como intrafamiliar pode ser: fisica, psiquica, patrimonial, moral e a sexual.

A violência é uma realidade social culturalmente aceita por muitas pessoas, a exemplo outro dia estava no intervalo na UNB, quando comecei a conversar com uma estudante de direito, ela tinha por volta dos 43 anos e estava terminando a graduação, por algum motivo começamos a falar sobre a violência contra as mulheres e esta começou a chorar, e relatar as formas crueis que sua companheira a tratava, o ataque a sua profissão a insistência em dizer-lhe que ela não era nada.

A violência contra as mulheres deixam muitas marcas, profundas e dolorosas, levando muitas lésbicas a silenciar, não é uma pratica denunciar suas parceiras. Muitas lésbicas que venho conversando sobre o assunto acham que vão resolver sozinhas e que vai passar, mas algumas me confessaram que por vezes não aguentam mais a situação de violência.

Parafraseando a Agende(instituição que trabalha com o tema em Brasilia), uma vida sem violência é um direitos das lésbicas.

Por esta razão veja o que a Maria da Penha diz nos artigos 1 a 4:

Art. 1o  Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8o do art. 226 da Constituição Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

Art. 2o  Toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goza dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sendo-lhe asseguradas as oportunidades e facilidades para viver sem violência, preservar sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.

Art. 3o  Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

§ 1o  O poder público desenvolverá políticas que visem garantir os direitos humanos das mulheres no âmbito das relações domésticas e familiares no sentido de resguardá-las de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

§ 2o  Cabe à família, à sociedade e ao poder público criar as condições necessárias para o efetivo exercício dos direitos enunciados no caput.

Art. 4o  Na interpretação desta Lei, serão considerados os fins sociais a que ela se destina e, especialmente, as condições peculiares das mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

Considerando estas questões, lembre-se que violência contra as lésbicas é crime, denuncie e informe-se no numero 180.

Zora Yonara, Assistente Social, Especialista em Filosofia (61) 92744136 ou zorayona@ig.com.br



O corpo político feminista e lesbiano: interação possível

02:34 PM, 20/6/2008 .. 0 comments .. Link

Foto: Zora Yonara

A política sempre esteve dinamizada por profundas transformações. Com efeito, compreender estas transformações levou a questionamentos para construir eixos e estabelecer elos analíticos sobre a história dos acontecimentos político-filosóficos, a exemplo o feminismo e o lesbianismo[2], conduziu este trabalho a buscar o entendimento da ação política na sociedade contemporânea, permitindo apreender o sentido de pluralidade e interação entre estes corpos.

Para Hannah, Compreender significava enfrentar sem preconceitos e com atenção a própria realidade, qualquer que fosse, e resistir a ela, em vez de negar a atrocidade ou atribuí-la a precedentes históricos (Birulés, 1997).

Assim, compreender o conceito de feminismo e lesbianismo permite avanços na discussão sobre a questão posta. No século XX havia uma maior abertura de questões sobre a sexualidade, possibilitando uma aproximação entre estes corpos, mas surge a questão é possível a interação?

Para tanto é preciso evitar preconceitos como afirma Hannah, e não estruturar uma veracidade incondicional, como se apenas existisse somente única leitura, afinal as verdades absolutas são rochas não se movem, e sendo assim, ao estar no mundo há uma constância do novo, não existindo algo acabado, e como afirma Navarro “quem estiver vestido no cimento de suas certezas não mergulhe nestas águas” (Navarro 2000: p. 9).

Esta compreensão aparece como um fator revolucionário politicamente para os corpos feminista e lesbiano, pois seus conceitos se contrapõe as determinações sociais impostas as mulheres como uma onda em constante movimento.

O feminismo aqui descrito reflete a cerca da opressão e denuncia o patriarcado para romper com a dominação secular e subalternidade das mulheres. Segundo Arendt “A partir do momento em que o grupo, do qual se originará o poder desde o começo (potestas in populo, sem um povo ou grupo não há poder), desaparece, “seu poder” também se esvanece.” (Arendt, 1994:36)

Assim, o feminismo[3] é definido como um movimento político de mulheres que lutam pela eqüidade, mantendo em certo sentido a discussão sobre o poder patriarcal, questionando o patriarcado, o poder do pai.

Este originu-se na Europa Ocidental a partir do século XVIII, rompendo com o grupo dominante. No entedimento filosofico o feminismo aparece após o fenômeno do iluminismo, com pensadoras como Mary Wortley Montagu e a Marquesa de Condorcet, lutadoras da educação feminina.

As grandes revoluções fazem incorpar a concepção de feminismo que ganha corpo politico e reivindicatório, e é com os partidos politicos que o movimento ganha força de expressão. Com o advento do capitalismo e a Revolução Francesa surgem os partidos de esquerda onde as mulheres encontram espaço para as suas manifestações.

O corpo feminista conseguiu uma série de avanços na sociedade ocidental: o sufrágio universal, proteção legal para trabalhadoras gestantes, criação de delegacias específicas para mulheres, abolição de algumas leis misóginas, incorporou tambem a defesa do corpo lesbiano, o que obviamente foi conquistado por este, mas levou um certo tempo para a realização da interação. Sendo assim, na atualidade o feminismo promove direitos para as mulheres, e isto independe da participação em partidos.

O feminismo proporcionou a reconciliação das mulheres com a realidade que se reconhecem nas constantes mudanças no mundo, de maneira a sobressair a pluralidade no agir.

A pluralidade permite o aprimoramento de reflexões, e em relação ao corpo lesbiano, o corpo feminista levou tempo para compreender a revolução deste.

O corpo lesbiano fora então marcado por um imbricamento e oposição do corpo feminista, que desconhecia o corpo lesbiano este despolitizado, pois não estava dentro do que se instituía como verdade política e bandeira feminista no periodo, a exemplo o direito ao voto, direito das trabalhadoras e a emancipação do século XIX.

No período de 60, 70, 80 e 90, o feminismo brasileiro se transformou, cotidianamente em cada luta, a cada derrocada, a cada enfrentamento e também nas conquista. Porem é com as contestações no período de 60, a qual tinha como bandeira a afirmativa de que o “pessoal é político”, pode-se afirmar que tal afirmação torna o processo emanciapatorio denso e reflexivo sobre o que é política, possibilitando o zoon politikon, ou seja, a participação de outros atores, especificamente o corpo político lesbiano.

Segundo Beatriz Suárez Briones

Os anos 60 foram a década da segunda onda feminista. Dentro do movimento feminista cada vez mais mulheres se sentiram livres para se intitularem feministas lésbicas; (…)As feministas lésbicas declararam que lésbica era qualquer mulher que dedicava todas as suas energias a outras mulheres. O lesbianismo passou a ser considerado a quintessência do feminismo, porque o feminismo lésbico significava pôr as mulheres primeiro no afectivo, no social, no político e no sexual, (...) ação que altera até à raiz a concepção patriarcal; significava materializar um tipo de relação revolucionária (… ).

 

Sendo assim, as questões inerentes ao corpo lesbiano aparecem publicamente promovendo uma reflexão de questões até então abordadas como específicas do privado. O corpo lesbiano agora interagindo com o corpo feminista resignifica e compreende o pluralismo como também um novo agir.

Para tanto é preciso compreender a concepção do termo lésbica que originalmente referia-se às habitantes da ilha de Lesbos, na Grécia. Na antigüidade, entre os séculos VI e VII a.C., morava naquela ilha a poetisa Safo, admirada por seus poemas sobre amor e beleza, em sua maioria dirigidos às mulheres. Por esta razão, o relacionamento amoroso entre mulheres passou a ser conhecido como lesbianismo ou safismo.

O corpo político lesbiano carrega signos históricos disciplinadores e de controle, este corpo fora submetido a métodos coercitivos e punitivos adotados pelas esferas públicas e privadas.

A desqualificação do corpo lesbiano, por vezes denominado de radical e separatista, esteve por um período excluído politicamente de ensaios discursivos, mas pautado nas reflexões feministas, pelo incomodo que causava, este corpo provocava terror e incompreensão, permeado de doxa.

Assim para Hannah, em um mundo humano normatizador o terror consegue se instaurar, o isolamento político é a condição necessária para consagrar o regime totalitário e desta maneira, o corpo lesbiano apesar desta marca de exclusão sempre esteve interada ao corpo feminista em suas reflexões a ações, permitindo uma ruptura com a dominação binária determinista que submete os corpos a um lugar.

Esta desqualificação, este lugar posto para o corpo lesbiano remete a centralização do poder patriarcal, a um totalitarismo, para Hannah o totalitarismo acontece quando não há laços políticos e sociais e o impedimento da livre manifestação do pensamento.

O isolamento pode gerar tirania, esta se caracteriza por cerrar o alicerce da força dos espaços públicos existentes, conseguindo estagnar qualquer possibilidade de ação política, de diálogo e de fala sobre questões que lhes sejam comuns, o que permite o aparecimento do totalitarismo.

Para Hannah, o poder não se resume apenas na capacidade de ação de um único indivíduo, ou na capacidade de impor uma vontade a outros, é além, o poder surgi através do acordo relacional entre os indivíduos que resolvem agir da mesma maneira.

Deste modo, poderá surgi a interação entre o corpo feminista e lesbiano? Para Hannah não somos seres políticos por natureza, pode acontecer entre nós ou não.

A interação entre os corpos descritos, tem como característica a pluralidade humana, e esta é possível graças à singularidade constituinte de cada qual, denotando a vontade geral, ou seja, a promoção de direitos eqüitativos entre gêneros, possibilitando uma ruptura com o tirania machista.

Assim a interação aparece como fio condutor de uma dialogicidade política, que existe quando os corpos feminista e lesbiano agem e comunicam-se coletivamente, o que requer um espaço para a interação que acontece através da ação e da palavra.

O não se sujeitar a outro ente hierarquicamente, por força ou poder, constitui-se uma revolução, ampliando assim o espaço político, permitindo o rompimento com o isolamento e fazendo acontecer a pluralidade.

A partir do agir e da condição de reger o próprio fado, dar-se-á significação ao desenvolver das atividades em consonância com os outros, atribuindo-se deste modo ao corpo lesbiano o sentido político. A ação e a política só podem ser compreendidas na vontade geral. A ação política precisa da diferença, sendo a coexistência com a diversidade que torna abastado o debate público, o que dá sentido à interação entre o corpo lesbiano e feminista.

Considerando que estes corpos se encontram, mas se distanciam durante o percurso ontológico. O diálogo permeia e permite a interação dos corpos possibilitando uma pluralidade dissociada de interesses meramente privados, permitindo assim o discurso no espaço público entre os corpos feminista e lesbiano, surgindo novas perspectivas políticas, assim para a filosofia a constatação desta pluralidade em certo sentido poderia representar o inicio de um debate dinamizado pela convivência, possibilitando a interação, e em meio a uma “(...)a vontade geral (...) mediada por um interesse universal, e não particular.” (Milovic, 2002:45)

Referência:

ARENDT, Hannah. Sobre a Violência. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 1969; 1994

_____________ 1989, Entre o Passado e o Futuro. 2ª Ed., São Paulo, Perspectiva.

_____________ 1998, O que é Política. Rio de janeiro, Bertrand.

_____________1993, A Dignidade da Política, Rio de Janeiro, Relumé-Dumará

_____________1981, Origens do totalitarismo, Rio de Janeiro, Companhia das Letras

BIRULÉS, Fina. 1997. "La Pasión por Comprender". Archipiélago, 30-

MILOVIC, Míroslav. Filosofia da Comunicação, para uma critica da modernidade. Brasília: Editora Plano, 2002, p. 310.

NAVARRO-SWAIN, Tania. O que é lesbianismo. São Paulo: Brasiliense, 2000. 101p

 

Informação de Internet (www):

DIALNET. Disponível em <http://dialnet.unirioja.es/servlet/listaarticulos?tipo_busqueda=EJEMPLAR&revista_busqueda=143&clave_busqueda=11689> Acesso em 02 jun de 2008;

WIKIPEDIA. Feminismos http://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo. Acesso em 03 jun. 2008

WIKIPEDIA. Lesbianismo http://pt.wikipedia.org/wiki/Lesbianismo. Acesso em 03 jun. 2008

UNB. Disponível em: http://www.unb.br/ih/his/gefem/labrys7/liberdade/anaalice.htm. Acesso em 05 jun 2008

Notas:
[2] Há uma discussão a cerca do final “ismo” que denotaria doença, então lesbianismo denotaria doença, o termo mais utilizado na atualidade é lesbianeidade. (Nota minha).

A pratica homossexual não é mais considerada uma patologia sendo consenso na comunidade de psicólogos, filósofos e médicos, por fim acredito que o sufixo ismo não é utilizado apenas para designar doença, o mesmo sufixo é utilizado para indicar teorias, movimentos sociais, correntes de pensamento, por esta razão utilizo a palavra lesbianismo no artigoo como movimento social.

[3] No verbete equivalente em inglês temos a definição de feminismo como uma ideologia que objetiva a igualdade - ou o que seria mais preciso - a eqüidade entre os sexos. Contudo, há autoras feministas que procuraram demonstrar como a própria concepção de sexo biológico advém de uma compreensão simbólica do mundo que é orientada pela concepção de gênero. O verbete equivalente em francês define feminismo como um conjunto de idéias políticas, filosóficas e sociais que procuram promover os direitos e interesses das mulheres na sociedade civil. No entanto, os feminismos, em suas múltiplas formas (como veremos a seguir), estão relacionados a desejos, políticas e interesses de outros grupos civis, não somente de mulheres. <http://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo >

Autora: Zora Yonara, Assistente Social, Especialista em Filosofia. email: zorayona@ig.com.br. Fone(61) 92744136.



Convivencias: a homofobia/violência diária

08:04 PM, 3/6/2008 .. 0 comments .. Link

lésbica

A ultima parada em São Paulo tinha como tema Homofobia Mata,  chamando a atenção sobre questões que passam de forma desapercebida por muitas de nós. A homofia é uma ferida aberta que gera muitas dores as lésbicas e aos homossexuais de forma geral. Muitas vezes sem se dar conta algumas de nós aceitam imposições societárias por pensar que é desta maneira, já naturalizou e perdeu a condição de dialogar.

A condição humana de se falar e ouvir, perpassa pelo fato de reconhecer-se enquanto cidada/o que se é. Mas muita lésbicas não se dão conta da subalternidade em que se encontram. Um caso particular ao qual pude participar foi com o grupo de adolescentes que acompanho enquanto Assistente Social.

Eram pelos menos 14 adolescentes discultindo sobre diversidade sexual, um adolescente falou que "esta coisa de homem com homem e mulher com mulher é pecado" iniciando assim um debate maravilhoso entre eles e elas.

Muitos adolescentes reproduzem sem se quer questionar o porque de tais afirmativas.

Questões como "isso é um absurdo, ai que nojo" se confrotaram com "as pessoas tem o direito ao exercicio de sua  orientação sexual, somos todos iguais, deus nos ama sendo homossexuais", entre outras reflexões.

Analise de toda conversa foi de fato a descontrução de verdades absolutas. E a aceitação do novo, mesmo entendo que isso leva tempo, muitos/as presentes perceberam que o respeito deve se fazer presente nos dialogos.

Finalizo com a fala de uma adolescente lésbica que citou a frase de musica "cada uma sabe a dor e a delicia de ser o que é".

 Este texto é reflexo do trabalho Convivencias-oficinas sobre diversidade sexual.

Zora Yonara - Assistente Social, especialista em filosofia.(61) 92744136 ou zorayona@gmail.com



Para refletir Bater é abusar tambem.

09:37 AM, 14/5/2008 .. 0 comments .. Link

Não há justifictiva nem convencimento para a violência contra adolescentes homossexuais.

Ontem ouvi uma frase assim: Sim mas é preciso corrigir de criança, esta história de que uma palmada nao resolve, resolve sim...

Ouvi aquilo e me questionei a cerca de tal posição é de fato assustador querer resolver as coisas por meio da palmada, do tapa, Quando batemos para ensinar, ensinamos a bater...

Sem sombra de duvida, o dialogo pode ser o melhor nas horas de conflito...

Pensei e percebi que este pai precisa de apoio/orientção, pois este reproduz o que apredeu, o que foi entendido como "normal"... homem para mulher e mulher para homem.  O que o Estado prega, a igreja...

Mas o que é mesmo normal pai? Normal é nao sermos violentados em nossos direitos. Bater é abusar tambem.

Para refletir....



Vivências da Homofobia na Adolescência

11:15 AM, 13/5/2008 .. 0 comments .. Link

              A homofobia é um termo conceitual, o qual se refere á aversão ou o ódio irracional aos homossexuais. A discriminação e a violência se materializam com práticas de opressão e humilhações àqueles que têm orientação sexual diferente da heterossexual. Podendo ser expressa de modo velado e com atitudes preconceituosas, a homofobia poderá estar presente, no trabalho, na escola, na família, através de atitudes homofóbicas que levam à injustiça e à exclusão, ferindo a dignidade humana.

A palavra homofobia, (homo= igual, fobia=do Grego φόβος "medo"), originou-se em 1971, quando o psicólogo George Weinberg, em sua obra impressa, utilizou as palavras gregas phobos ("fobia"), com o prefixo homo. Fobia seria assim um medo irracional (instintivo) de algo, porem poderá ser utilizado como aversão ou repulsa. A partir desta conceituação, pode-se afirmar que a homofobia esta arraigada e presente na vida dos adolescentes, estes aparecem tambem como sujeitos desta estrutura perversa que exclui e violenta.

No Brasil registra-se um crime de ódio anti-homossexual a cada três dias. As idades variam de 12 a 82 anos(GGB), o que leva a identificar que os/as adolescentes estão também dentro das estatísticas de homicídios por homofobia.

            A homofobia reflete-se na vida dos/as adolescentes por meio de elementos cruéis, destacando-se a desconstrução de suas identidades, especificamente relacionada à orientação sexual, muitos/as relatam sentir um peso insuportável e desespero quando pensam na família e quando contaram para seus responsáveis sofreram insultos, humilhações com freqüência, não tiveram apoio e as torturas psíquicas, físicas e verbais levaram a uma postura de fuga, negação ou encorajamento para romper com o estado de violência.

            Nos casos os quais pesquisei, as famílias reagiram de maneira contrária à homossexualidade dos seus filhos e filhas. São inúmeras a histórias de violência e homofobia, como exemplo a história da lésbica D., na ocasião da agressão sofrida tinha 17 anos, relatou que no momento em que se assumiu para sua mãe, esta reagiu de forma contrária e chamou o irmão mais velho para que desse uma lição e a corrigisse, sei irmão a jogou contra a parede e bateu muito nela. D. foi parar no hospital, sua própria mãe a levou, na ocasião o médico perguntou o que teria acontecido, a mãe disse que ela caiu, mas o médico insistiu e a mãe relatou que foi briga de irmãos. O médico perguntou se D. queria denunciar, mas por medo não contou o que aconteceu e logo depois fugiu de casa. Casos como estes são comuns entre os/as adolescentes que silenciam a agressão sofrida por medo.

Desta forma, pensar a homofobia é também pensar a questão de gênero, gays e lésbicas de maneira específica vivenciam humilhações, agressões e insultos presentes nas relações familiares, mas é importante destacar que como a violência sempre está relacionada ao poder e culturalmente as mulheres estão á margem, as lésbicas adolescentes se encontram em desvantagem e considerando sua condição estão mais vulneráveis as imposições machistas e heterossexistas determinantes.

 Razões que levam à rejeição de práticas sexuais:

As razões que levam ao desrespeito é o medo irracional ou aversão contra os/as homossexuais. A história apresenta inúmeros fatos que promoveram esta intolerância e desrespeito a dignidade humana. A igreja, a sociedade, o Estado sempre estiveram presentes nesta materialização da homofobia, assim ao negar a parceria civil registrada para os casais homossexuais, o Estado contribui para a que a violência se propague.

A ignorância e o preconceito societário, também permitem que atos violentos se propaguem, assim as piadas que se contam, as imitações de gestos comuns as lésbicas e gays, um olhar pode fazer um homossexual sentir-se mal.

Recentemente a pesquisa “Juventudes e Sexualidade” da UNESCO, envolvendo milhares de estudantes brasileiros de ensino fundamental, seus pais e professores, revelou que os professores não apenas tendem a silenciar frente à homofobia, mas muitas vezes colaboram ativamente na reprodução de tal violência, e mais de um terço dos pais de alunos não gostaria que homossexuais fossem colegas de escola de seus filhos/as.

A pesquisa:

Nesta pesquisa pode-se constatar que existe um ciclo da situação de homofobia/violência intrafamiliar, este ciclo é composto de fases que se manifestam na medida em que a/o adolescente revela sua orientação sexual, seu desejo afetivo/sexual por pessoas do mesmo sexo para os/as responsáveis.

As fases da homofobia intrafamiliar são:

  1. Conflito: Há um acúmulo do conflito que se manifesta por meio de atritos, com insultos e ameaças, nasce de uma desconfiança sobre a orientação do/a adolescente;
  2. Agressão psíquica e verbal: Há uma descarga descontrolada de desconfiança e o conflito aumenta, o agressor/a atinge a/o adolescente com xingamentos, humilhações, a exemplo, “prefiro ter uma filha puta do que sapatona, ou um filho ladrão do que bicha”. Daí vem à tortura, afasta a/o adolescente dos/as amigos/as, tentando isolá-lo/a, trancando dentro de casa, obrigando a ir ao médico, psicólogo e a igreja, depois vem a indiferença, que consiste no silêncio ou na rejeição de carinho por parte deste filho/a.
  3. Violência física: bate, espanca, utiliza objetos para bater e marcar como ferro, pau, garrafa, até a expulsão da casa ou fuga por parte do/a adolescente.

 Quadro exemplificador: Conflito, sustentação do conflito, HOMOFOBIA, Passividade/dominação e/ou ruptura com a familia. 

  Conseqüência:

Infelizmente a violência/homofobia mergulha este/a adolescente num poço sem fundo, com muitas dúvidas este/a adolescente que não conta com o apoio familiar, tem a sua saúde física e emocional abalada, percorrendo um caminho doloroso de abandono. A homofobia/violência intrafamiliar deixam marcas na vida deste/a adolescente, com conseqüências desastrosas como desenvolver depressão, ansiedade, insegurança, baixa auto-estima e até mesmo algum grau de fobia, além de comportamentos autodestrutivos e tentativas de suicídio.

Segundo dados do IPA - Instituto Paulista de Adolescência, 7% dos suicídios cometidos por adolescentes e jovens estão relacionados a conflitos com a identidade sexual. As lembranças da homofobia/violência na família são sempre muito dolorosas, e podem em alguns casos serem carregados ao longo de toda a vida como feridas difíceis de cicatrizar.

 Instrumentos para o enfrentamento da violência contra os/as adolescentes homossexuais:

O desafio é garantir que o direito das/os adolescentes seja respeitado, por meio dos instrumentos jurídicos e sociais como ECA, Brasil sem homofobia, Lei Orgânica Municipal ou Estadual, rompendo com a invisibilidade da sua condição e denunciando a homofobia/violência. A exemplo:

Estatuto da criança e do adolescente:

Art. 5° – Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

Art. 18 – É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.

Brasil sem homofobia:

IX – Política para a Juventude:

• Apoiar a realização de estudos e pesquisas na área dos direitos e da situação socioeconômica dos adolescentes GLTB, em parceria com agências internacionais de cooperação e com a sociedade civil organizada;

• Apoiar a implementação de projetos de prevenção da discriminação e a homofobia nas escolas, em parceria com agências internacionais de cooperação e com a sociedade civil organizada;

• Capacitar profissionais de casas de apoio e de abrigos para jovens em assuntos ligados a orientação sexual e ao combate à discriminação e à violência contra homossexuais, em parceria com agências internacionais de cooperação e a sociedade civil organizada;

Assim, a promoção de Políticas Publicas, estas que são práticas coletivas e representam ações ou mediações político-institucionais, definidas principalmente pela existência de recursos públicos e pelos mecanismos de intervenção do Estado na sociedade, permite que haja um arcabouço jurídico-legal em que serão elaboradas e normatizadas ações institucionais, projetos ou programas de ações decorrentes deste referencial jurídico, promovendo de maneira eqüitativa ações não discriminatórias as quais subsidiam os direitos sociais dos/as homossexuais.

Gostaria de citar Marisa Fernandes que afirma:

“As jovens que se descobrem lésbicas, e que vivem com seus pais, são as que mais sofrem violência. A família reprova a lesbianidade da filha e procura impor a heterossexualidade como normalização da prática sexual do indivíduo... os pais buscam sujeitar e controlar o corpo das filhas lésbicas, lançando mão de diferentes formas de violência, como os maus-tratos físicos e psicológicos... é o exercício do poder, utilizado como ferramenta de ensino, punição e controle.”

Sendo assim, pensar na emancipação e autonomia dos corpos dos/as adolescentes é uma forma de romper com a opressão imposta pela sociedade, este é um passo importante na desconstrução da homofobia, o exercício da sexualidade livre de opressões é um direito dos/as adolescentes. Por conseguinte, a educação e o diálogo torna-se uma saída, muitas iniciativas como a criação de grupos de adolescentes homossexuais é uma forma de discutir as dificuldades relativas à homossexualidade nessa faixa etária.

            Portanto, criar canais que possibilitem a discussão dismistificando o que esta envolta a este tema, é uma maneira de empoderar os adolescentes que vivenciam a homofobia na adolescência. O silêncio pode matar.

 Autora – Zora Yonara – Assistente Social, Especialista em Filosofia e escritora, atualmente Coordena o Departamento de Responsabilidade Social do Teatro MAPATI.  (61)92744136



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